
A semana ia a mesma coisa do costume... Nada mudava senão mais e mais trabalho, a contagem decrescente e a esperança de ter a minha menina nos braços deixava o meu coração mais pequeno, apertava-me a alma, doia-me o corpo... As coisas não tinham nem o mesmo sabor nem a mesma cor. Quando o meu corpo e mente embalavam no mundo dos sonhos procurando algo no escuro, no desconhecido que ao mesmo tempo era tão familiar... Será que vou alcançá-lo? A dúvida invadia-me, o corpo hesitava, a mente não acompanhava, a vontade tremia, o entendimento não queria entender... nada estava de feição e eu cá dentro no meu coração pequenino não queria nada de muito complicado, porque estavam todos contra mim e contra nós? Vê-se tanta malícia e tanta cobiça que chega a ser preciso manter os olhos abertos de tanto mal que parece rodear... Já não bastava a minha aptidão de absorver coisas más das pessoas ainda tinha de ter o mundo a conspurcar o que tenho de mais sagrado. A solução não é fácil... o caminho muito menos... as forças não são as melhores penso eu, mas algo está lá, existe algo brilhante dentro de mim, algo quente, algo eterno e confortante que não me deixa afundar na escuridão... Há quem diga que tenho sorte porque sou "Indigo", mas a minha sorte não é essa, porque estar acima do comum mortal do seu comum entendimento ou da sua comum sensibilidade de ditâmes todos previstos, todos positivados e todos encaixados como uma sequência lógica de actos desde o nascimento até à morte...
A Sorte... sorte? Sim sorte! A minha sorte reside em algo bem mais complexo e vasto que todas as comuns coisas que deambulam cá e lá... O que é a minha sorte? O interesse parece existir de facto depois de tanta palavra derramada quando o meu interior urgia por deitar cá para fora o meu sorriso escondido e secreto... Encontrei o amor... Não um amor banal, comum, daqueles que parece que se encontram num livro com o título: saiba como encontrá-lo, se eu disse amor não era apenas uma palavra de 4 letras que as pessoas desperdiçam e vendem ao desbarato como se não soubessem como aplicar o tempo, o amor não deve servir para isso nem quem acreditar nele o deve permitir.
Existem coisas profundas e esta... é minha! Ninguém há-de tocar nele sem que eu permita, deixei-me embalar nele, vi-o transformar em ouro perante os meus olhos, encostei-me no seu peito e descansei... Cá dentro conseguia sentir-me mais leve, uma bola de sabão protegia-nos de tudo o que era mau do mundo e finalmente estava relaxado, as costas não se queixavam, as pernas distendiam, o coração abrandava e recuperava forças, os meus braços tombavam sobre a sua substância que me acariciavam no seu calor e no seu mais íntimo ser. A questão mantém-se sobre como fui eu embalar em algo tão precioso e raro, sem que tivesse de sair ou explorar, apenas me deixei estar e encostei, vi-me feliz como a memória já não me trazia uma recordação há tantos anos... Parece que passaram séculos e eu continuo ali, o menino de sempre, nos seus medos e hesitações que não me deixaram respirar, ela estendeu a mão para tudo isso, furou as barreiras mais sólidas que esses sentimentos negros me tinham envolvido, os meus pulmões choravam por sentirem novamente o contacto com o "oxigénio" livre de interesse e falsidade, a recordação era vaga, tão vaga que apenas a família ma tinha transmitido, o seu valor cresceu exponencialmente e eu descansei tanto naqueles minutos, finalmente descansei... Não sei o amanhã mas o hoje sei que posso saber pois está mesmo no meio das minhas mão eu fazer dele o que eu quiser..........
O que vou eu fazer? *sorriso* Vou fazer aquilo que espero que aceites e percebas o quanto tenho intenção e vontade de o tornar realidade, digo-o com lágrimas nos olhos mas sempre de felicidade pois a nova cor e odor que deste à vida, fizeram-me novamente emergir de onde estava, abri as minhas asas e soube o que era voar de novo graças a ti, serena e apaziguadora, finalmente...
Assim o que vou fazer ao hoje é entregar-to... Sou teu... Faz de mim o que quiseres.
Sempre teu... Sempre um...
*@